Como o Letramento Digital de Pais e Filhos Melhora a Segurança nas Redes
Advogados e promotores destacam a importância de um olhar humanizado sobre o abismo tecnológico entre gerações e apontam que a segurança de crianças na rede exige tanto a colaboração das empresas quanto o letramento digital dos responsáveis.
por Laina Moraes
Antes da implementação de diretrizes mais específicas e da modernização do debate sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) no ambiente digital, a segurança de crianças e adolescentes na internet operava em um cenário de baixa regulação e pouca percepção de riscos específicos.
De acordo com a promotora Mirella Monteiro, da área de infância e juventude do Ministério Público do Estado de São Paulo, em entrevista para a agência Senado, diz que as plataformas possuem tecnologia para filtrar conteúdos nocivos, visto que já removem instantaneamente vídeos que violam direitos autorais. Para eles, a eficiência em proteger o patrimônio das empresas demonstra que a falta de proteção às crianças não é uma limitação técnica, mas uma escolha que prioriza o lucro em detrimento da segurança social.
Em entrevista para a Central de Notícias das rádios comunitárias, a advogada de direito digital e presidente da Associação Nacional de Vítimas de Internet (ANVINT), Tanila Savoy, nos explicou que a segurança das crianças na internet começa a partir da educação e letramento digital: “É um letramento digital também para os pais. É um olhar humanizado para todo mundo. É isso que a gente precisa.”
Tanila, ainda completou que o letramento digital precisa se adaptar as diferentes idades, devido a mudança da tecnologia conforme os anos passaram e o pulo geracional em se adaptar a ela: “Mas enquanto a gente fala de pessoas, de escolas, de responsáveis por menores de idade e dos próprios menores de idade, a gente precisa ter esse olhar humanizado, entender que é uma diferença geracional muito significativa e impactante a nível de sociedade e a gente precisa colher cada um deles com as deficiências, que são próprias dessa internet, desses dados que vieram e que, assim, avassalaram a nossa vida, é quase 100% de uma população conectada e conectada quase que 24 horas.
A promotora Mirella Monteiro, da área de infância e juventude do Ministério Público do Estado de São Paulo, em entrevista para a agência Senado, ainda afirma que outro obstáculo que a educação das crianças nas redes sociais, dependem da colaboração das plataformas.
A promotora sustenta que o uso do discurso da liberdade de expressão pelas empresas visa apenas manter o acesso irrestrito de crianças ao ambiente digital para garantir a coleta de dados e a lucratividade. Segundo Monteiro, a resistência à regulação máscara o interesse em conservar uma estrutura comercial que seria prejudicada por controles mais rígidos de segurança e proteção à infância.
A Central de Notícias da Rádio Itaquera é uma iniciativa do Projeto “Cartola” Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

