Adolescência: fase da caverna ou Depressão



O transtorno pode afetar pessoas de qualquer idade, mas os responsáveis de crianças e adolescentes devem redobrar sua atenção.

Por Enzo Fiori

Dos 10 aos 19, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a faixa etária que consiste na adolescência. Os Adolescentes costumam ficar mais isolados e estão sempre mudando de humor. Mas nem toda vez que o adolescente quiser ficar na sua é só uma coisa da fase, pode ser também um indício que o jovem está sofrendo com depressão.

O que é a Depressão? Segundo a OMS é um transtorno mental que costuma envolver um estado de humor deprimido e a perda de interesse por um longo período em fazer atividades que antes traziam algum conforto para a pessoa.

Entre os sintomas temos: Insônia ou sono excessivo, sensação de cansaço, baixa concentração, sentimentos excessivos de culpa, baixa autoestima, desânimo em relação ao futuro, mudanças de apetite e peso, além de pensamentos recorrentes relacionados a morte como o desejo de tirar a própria vida. 

Segundo a Psicopedagoga e Psicóloga Thais Garcia Osaki, a adolescência é uma fase em que o jovem está em busca da própria identidade e acaba se afastando dos pais ou responsáveis. Os adultos, no entanto, precisam criar um caminho de aproximação e diálogo sem castigos, discussões ou medidas punitivas quando perceberem que o filho não está bem.

“A gente entende que a adolescência tem um pouco da fase da caverna, que ele fica lá no cantinho dele, mas para conseguir trazer esse jovem para fora ele tem que sentir que tem uma rede de suporte, inclusive dentro de casa. Porque o adolescente vive muito em grupos e acaba buscando suporte em outra pessoa da mesma idade que algumas vezes também não está tão bem.”

O bullying, tratar as pessoas de maneira pejorativa por alguma característica física, emocional, etnia, sexualidade e até mesmo a condição financeira afeta muito a cabeça de um jovem que passa por essas situações. A criança ou adolescente pode se sentir fragilizada e demonstra isso ficando mais agressiva, isolada ou mais quieta, afirma a Psicopedagoga

Alguns gatilhos emocionais podem desencadear o transtorno, como a morte de uma pessoa ou animal querido, uma frustração grande como o fim de um relacionamento, não conseguir passar em algum vestibular ou viver em um ambiente estressante.

Não há um caminho único para cuidar da depressão, alguns responsáveis procuram primeiro o pediatra e de lá são encaminhados para um psiquiatra e um psicólogo, mas o inverso também pode acontecer. É importante que o tratamento seja acompanhado  por profissionais da saúde como o pediatra, psiquiatra e também o psicólogo para que seja avaliada a necessidade do uso de remédios.

“Nós temos muita resistência dos pais quanto à medicação. Antigamente, as medicações viciavam, as pessoas começavam a tomar e às vezes precisavam tomar por toda a vida porque elas ficavam dependentes, Mas hoje em dia as medicações são muito seguras, nós temos uma psicofarmacologia enorme e podemos testar e fazer depois o desmame. Mas nunca pode ser feita a parada imediata do medicamento.”

 

Comentários